Vírgula: tudo que você precisa saber

Vírgulas, essas criaturinhas pequenas, mas poderosas, podem parecer inofensivas à primeira vista. No entanto, elas têm o poder de mudar todo o sentido de uma frase.

Então chegou a hora de dominar as vírgulas de uma vez por todas.

Primeiro, vamos ao básico: O que é uma vírgula? Bom, além de ser um sinal gráfico, ela é responsável por indicar pequenas pausas e por separar e conectar alguns termos na frase, por meio de uma pausa que altera a entonação.

Uso da Vírgula

Para entendermos melhor, pense na Virgula como um tipo de policial do trânsito gramatical. Ora nos pede para diminuir a velocidade, ora nos indica para seguir adiante. E, às vezes, ela até nos pede para parar completamente e dar vez para outras palavras passarem!

Mas não se engane, apesar de pequena, a vírgula tem uma personalidade forte! Quando mal colocada, ela pode causar um grande tumulto e até mudar o sentido de uma frase inteira.

Afinal, não é a mesma coisa dizer:

1 – “Ele viu, na janela, o gato.”

2 – “Ele viu na janela o gato.”

No primeiro exemplo, a vírgula está nos dizendo para fazer uma pausa. O sentido dessa frase é que ele viu o gato, e isso aconteceu enquanto ele estava na janela.

Já no segundo exemplo, sem as vírgulas, a frase sugere que o que ele viu, especificamente na janela, foi o gato. Talvez houvesse também um cachorro, mas o cachorro não estava na janela, apenas o gato.

Portanto, a vírgula aqui faz uma grande diferença! Ela muda onde estamos focando na frase: estamos falando sobre onde ele estava quando viu o gato ou onde o gato estava quando ele o viu.

A vírgula, nesse sentido, é como um diretor de cinema, determinando para onde a câmera (e, portanto, o foco do público) deve estar voltada. Muito poder para uma pequena criatura, não acha?

Então, da próxima vez que encontrar uma vírgula durante a leitura, lembre-se de agradecer a ela por orientar sua jornada pelo maravilhoso mundo das palavras. OK?

Mas Afinal, como devemos usar a Vírgula da forma correta?

Vamos por partes!

Como vimos no início, a vírgula tem a função de separar elementos dentro de uma mesma frase ou oração.

vamos entender melhor, a virgula deve ser usada para:

Separar elementos numa série também chamados de termos coordenados

Quando dizemos “usar a vírgula para separar elementos”, estamos falando principalmente de listas. Isso mesmo, sabe quando você vai ao supermercado e leva aquela lista de compras? Pois é, a vírgula é como o carrinho de supermercado, permitindo que você pegue item por item sem confusão.

Exemplo 1: “No supermercado, preciso comprar maçãs, bananas, pães, leite, café, queijo…”

Cada item da sua lista é separado por uma vírgula, facilitando a compreensão e organizando suas compras.

Atenção! Nesses casos, a vírgula só não ocorrerá quando houver a conjunção “e” separando os termos coordenados. Veja:

Exemplo 2: “No supermercado, preciso comprar maçãs, bananas, pães, leite, café e queijo…”

A virgula também deve ser usada para:

Separar orações coordenadas

Orações coordenadas são como membros de uma equipe: cada um tem sua própria função, mas todos trabalham juntos para alcançar o mesmo objetivo. No caso da gramática, cada oração tem seu próprio sujeito e verbo, mas todas trabalham juntas para formar uma frase completa.

Agora, a vírgula é como o treinador dessa equipe. Ela ajuda a organizar as orações para que a frase faça sentido e seja fácil de entender. Vejamos alguns exemplos:

  • Orações coordenadas unidas pela conjunção “e”: Geralmente, não precisamos de vírgula, a menos que as orações tenham sujeitos diferentes.

Exemplo sem vírgula: “João comeu e saiu.” (João fez as duas ações, então não precisamos de uma vírgula)

Exemplo com vírgula: “João comeu, e Maria saiu.” (João e Maria são sujeitos diferentes, por isso usamos uma vírgula)

  • Orações coordenadas unidas por “mas”, “porém”, “contudo”, “todavia”, “entretanto”: Essas palavras são como sinais de “mudança de direção” na estrada da frase. Por isso, precisamos da vírgula para nos preparar para a mudança.

Exemplo: “Eu queria jogar futebol, mas estava chovendo.”

  • Orações coordenadas unidas por “ou“: A vírgula é usada aqui como uma “escolha” entre duas coisas.

Exemplo: “Você pode estudar agora, ou pode jogar videogame.”

Orações coordenadas unidas por “logo”, “pois” (com sentido de “portanto”), “portanto”, “por conseguinte”, “assim”: A vírgula é necessária aqui porque estas palavras indicam uma conclusão ou resultado.

Exemplo: “Eles não fizeram a lição de casa, portanto, tiraram nota baixa.”

A virgula também deve ser usada para:

Isolar elementos repetidos no enunciado

Imagine a vírgula como um pequeno sinal de trânsito que nos diz: “Olha, tem algo repetido aqui!” Ela ajuda a destacar a repetição e a garantir que não fiquemos confusos.

Vamos considerar a seguinte frase: “Hoje, hoje é o grande dia!” A palavra “hoje” é repetida e a vírgula a isola para enfatizar o quão importante é este dia. Como se você estivesse tão emocionado que tivesse que dizer “hoje” duas vezes!

Outro exemplo: “Eu, eu mesmo, vou fazer o bolo de aniversário este ano.” A repetição de “eu” aqui serve para enfatizar que a pessoa que está falando é que vai fazer o bolo, não outra pessoa. A vírgula é usada para isolar “eu mesmo” e destacar essa afirmação.

Uma frase com um número ou um nome também pode ter elementos repetidos, como: “O número 3, 3 é o meu número da sorte.” Ou, “João, João! Venha aqui!” Em ambos os casos, a repetição é isolada por vírgulas para dar ênfase.

Então, da próxima vez que você se encontrar repetindo palavras ou frases, lembre-se da nossa amiga vírgula. Ela está aqui para ajudar a organizar e destacar essas repetições!

A virgula também deve ser usada para:

Separar o nome do lugar nas datas

A vírgula, neste caso, é como um pequeno guia turístico. Ela nos mostra onde estamos e quando estamos. Quando escrevemos datas com o nome do lugar, a vírgula é usada para separá-los.

Por exemplo, imagine que você está escrevendo um cartão postal para um amigo enquanto está de férias. Você escreve: “Rio de Janeiro, 26 de maio de 2023.” A vírgula aqui está dizendo: “Primeiro, vamos ver onde estamos… ahh, Rio de Janeiro! Agora, vamos ver quando estamos… ahh, 26 de maio de 2023!”

Ou imagine que você é um explorador relatando sua última descoberta. Você pode escrever em seu diário: “Amazônia, 30 de janeiro de 2023, descobri uma nova espécie de planta.” A vírgula novamente nos ajuda a situar tanto o lugar (Amazônia) quanto a data (30 de janeiro de 2023) de sua descoberta.

Portanto, sempre que você escrever o nome de um lugar seguido de uma data, chame nossa amiga, a vírgula, para ser sua guia turística. Ela vai garantir que seus leitores saibam exatamente onde e quando estão!

A virgula também deve ser usada para:

Destacar apostos

A vírgula, neste caso, é como uma estrela do rock que apresenta o artista convidado.

Os apostos são como artistas convidados em uma frase. Eles fornecem informações adicionais sobre algo que já mencionamos, e a vírgula é usada para apresentá-los.

Vamos a um exemplo: “Maria, minha melhor amiga, vai ao parque todos os dias.” Aqui, “minha melhor amiga” é o aposto, dando mais informações sobre Maria.

E as vírgulas são como o holofote, destacando esse detalhe extra.

Outro exemplo: “O sol, a estrela do nosso sistema solar, é essencial para a vida na Terra.”

Neste caso, “a estrela do nosso sistema solar” é o aposto, oferecendo mais detalhes sobre o sol. E novamente, as vírgulas são os holofotes, destacando essas informações adicionais.

Então, sempre que você tiver informações extras para dar sobre algo em sua frase, convide o aposto para o palco e deixe a vírgula fazer o trabalho de iluminação! Ela vai destacar o aposto para que todos saibam o quão importante ele é.

A virgula também deve ser usada para:

Destacar vocativos

Imagine a vírgula como uma secretária eletrônica que pausa a conversa para dizer: “Recado para…”

Os vocativos são como esses recados. Eles são usados para chamar, convocar ou se referir a alguém diretamente na frase. E a vírgula, nossa eficiente secretária eletrônica, é usada para destacá-los.

Por exemplo: “João, venha cá!” Aqui, “João” é o vocativo – estamos nos referindo diretamente a ele. E a vírgula é o sinal de que estamos chamando João especificamente.

Outro exemplo: “Me escute, meu filho, você precisa estudar mais.” Nesse caso, “meu filho” é o vocativo – estamos nos referindo diretamente a essa pessoa. E as vírgulas antes e depois do vocativo estão nos dizendo: “Recado para: meu filho.”

Então, sempre que você estiver chamando alguém diretamente em uma frase, lembre-se de incluir a nossa amiga vírgula. Ela vai garantir que o destinatário da mensagem fique em destaque!

A virgula também deve ser usada para:

Indicar partículas e expressões de explicação, correção, continuação

A vírgula neste caso é como o maestro da orquestra da nossa frase. Ela conduz o ritmo, nos mostra quando é hora de fazer uma pausa e sinaliza mudanças de direção.

Partículas e expressões de explicação, correção ou continuação são como solistas na nossa orquestra. Eles têm um papel especial e a vírgula é usada para destacá-los.

Explicação: Expressões como “isto é”, “ou seja”, “em outras palavras” indicam que estamos prestes a fornecer uma explicação ou um esclarecimento. A vírgula é usada antes e depois dessas expressões para destacá-las.

Exemplo: “Eu amo frutas, ou seja, eu como frutas todos os dias.”

Correção: Quando queremos corrigir ou modificar algo que dissemos, usamos a vírgula para sinalizar essa mudança.

Exemplo: “Eu vou ao cinema hoje, não, na verdade, eu vou amanhã.”

Continuação: Expressões como “além disso”, “por outro lado”, “em seguida” indicam que estamos adicionando mais informações ou mudando o foco da discussão. A vírgula é usada aqui para preparar o leitor para a nova informação.

Exemplo: “Eu amo ler livros. Além disso, eu também gosto de escrever.”,

Portanto, sempre que estiver usando partículas ou expressões para explicar, corrigir ou continuar a sua frase, não esqueça de chamar a nossa amiga vírgula. Ela vai garantir que essas palavras especiais sejam devidamente destacadas e compreendidas!

A virgula também deve ser usada para:

Separar conjunções adversativas

A vírgula aqui é como um guarda de trânsito que nos avisa quando há uma mudança de direção chegando. As conjunções adversativas, como “mas”, “porém”, “contudo”, “todavia” e “entretanto”, são essa mudança de direção na estrada da frase.

Por exemplo, imagine que estamos indo direto numa estrada que é “Eu queria sair”. Aí, de repente, a conjunção “mas” aparece e nos leva numa direção diferente, para “está chovendo”. A frase completa é: “Eu queria sair, mas está chovendo.” A vírgula antes do “mas” é o guarda de trânsito, nos dando um aviso de que a direção vai mudar.

Outro exemplo: “Eu adoro sorvete, porém não posso comer muito porque faz mal para a minha saúde.” Aqui, “porém” é a conjunção adversativa que muda a direção da frase. A vírgula antes do “porém” nos prepara para essa mudança.

Portanto, sempre que você usar uma conjunção adversativa para mudar a direção da sua frase, lembre-se de colocar a nossa amiga vírgula antes. Ela vai alertar seus leitores sobre a mudança que está por vir!

A virgula também deve ser usada para:

Realçar hipérbatos

Um hipérbato é uma figura de linguagem em que as palavras são rearranjadas de uma forma incomum, seja por ênfase, estilo poético ou para criar um efeito especial.

Vou te dar alguns exemplos para ficar mais claro:

“Na praia, o sol brilhava intensamente.”

Nessa frase, temos o hipérbato “na praia” sendo realçado pela vírgula. Isso chama atenção para o local onde o sol está brilhando intensamente.

“Com alegria, corri pelo campo.”

Nesse caso, o hipérbato é a expressão “com alegria”. A vírgula destaca essa emoção que acompanhou a ação de correr pelo campo.

“De repente, ouvi um barulho estranho.”

Aqui, “de repente” é o hipérbato que é realçado pela vírgula. Essa pausa enfatiza a mudança abrupta na situação narrada.

Perceba que a vírgula atua como um destaque para o hipérbato, chamando a atenção do leitor para essa expressão fora da ordem comum.

Portanto, quando quiser utilizar hipérbatos para criar efeitos especiais ou enfatizar determinadas palavras ou expressões, lembre-se de convidar a vírgula para iluminar esses elementos de destaque!

A virgula também deve ser usada para:

Isolar anacolutos

Um anacoluto é uma mudança brusca na estrutura de uma frase. Normalmente, isso acontece quando começamos a frase de uma maneira e a terminamos de outra, criando uma “quebra” no fluxo normal do pensamento ou da gramática.

A vírgula pode ser usada para destacar ou “isolar” esses anacolutos, mostrando que a frase mudou de direção.

Por exemplo, vamos pegar a seguinte frase: “Eu, sabe, não gosto muito de tomate.”

Aqui, “Eu” começou como o sujeito da frase, mas foi interrompido por “sabe”, que não se encaixa na estrutura normal da frase. Nesse caso, as vírgulas foram usadas para isolar “sabe” e mostrar que é um anacoluto.

Aqui está um exemplo mais criativo: “Os livros, nunca mais os vi depois da mudança.”

Começamos falando sobre “os livros” como se fossem o sujeito da frase, mas de repente mudamos para “nunca mais os vi depois da mudança”. Nesse caso, a vírgula foi usada para isolar “os livros” e mostrar que a frase mudou de direção de maneira inesperada.

Então, a vírgula, neste caso, é usada para enfatizar a “quebra” ou mudança na estrutura da frase, ajudando o leitor a entender que algo diferente está acontecendo.

A virgula também deve ser usada para:

Indicar elipse de um verbo

A vírgula também pode ser usada para indicar a elipse de um verbo, ou seja, quando um verbo é omitido da frase porque já foi mencionado ou é entendido pelo contexto.

A vírgula é usada para indicar essa omissão, permitindo que a frase ainda faça sentido mesmo sem a palavra que foi deixada de fora.

Por exemplo, digamos que você está falando sobre o que comeu no café da manhã:

  • “No café da manhã, comi pão com manteiga, (comi) frutas e (bebi) café.”

Aqui, o verbo “comi” é entendido e não precisa ser repetido antes de “frutas”, e o verbo “bebi” é entendido e não precisa ser repetido antes de “café”. As vírgulas indicam onde os verbos foram omitidos.

Outro exemplo mais simples:

  • “Eu gosto de café, ele, de chá.”

Nesta frase, o verbo “gosta” foi omitido na segunda parte, mas a frase ainda faz sentido. A vírgula indica onde o verbo foi omitido.

A virgula também deve ser usada para:

Separar orações subordinadas adjetivas explicativas

As orações subordinadas adjetivas explicativas são aquelas que adicionam uma informação extra ou explicação sobre algo mencionado anteriormente na frase. São, normalmente, introduzidas por pronomes relativos como “que”, “quem”, “onde”. A vírgula é usada para separar essas orações do resto da frase, indicando que estão fornecendo informações adicionais e não essenciais.

Vamos ao exemplo:

  • “O sol, que é a estrela do nosso sistema solar, é fundamental para a vida na Terra.”

Nesta frase, “que é a estrela do nosso sistema solar” é uma oração subordinada adjetiva explicativa, porque está fornecendo informações extras sobre o sol. A vírgula antes e depois da oração mostra que ela é uma informação adicional.

Outro exemplo:

  • “Minha irmã, que é médica, trabalha em um hospital.”

Aqui, “que é médica” é a oração subordinada adjetiva explicativa, dando mais detalhes sobre minha irmã. As vírgulas separam essa informação do resto da frase.

A virgula também deve ser usada para:

Separar orações subordinadas adverbiais da oração principal

s orações subordinadas adverbiais são usadas para adicionar informações sobre circunstâncias – como tempo, lugar, causa, condição, finalidade, etc. – à oração principal. Quando essas orações vêm antes da oração principal, nós geralmente usamos uma vírgula para separá-las.

Vamos ver um exemplo:

  • “Quando o sol se põe, o céu fica laranja.”

Aqui, “Quando o sol se põe” é uma oração subordinada adverbial que está dando informações sobre o tempo em que “o céu fica laranja”. Nós usamos a vírgula para separar as duas orações.

Outro exemplo:

  • “Se chover, levaremos os guarda-chuvas.”

Nesta frase, “Se chover” é uma oração subordinada adverbial que adiciona uma condição à oração principal “levaremos os guarda-chuvas”. A vírgula é usada para separar essas duas orações.

Portanto, a vírgula é usada para separar a oração subordinada adverbial da oração principal, tornando a estrutura da frase mais clara para o leitor.

Quando não devemos usar a vírgula?

vou mostrar alguns casos comuns em que não devemos usar a vírgula. Vamos lá:

Entre sujeito e predicado: Não se deve separar o sujeito do predicado com uma vírgula. Isso interrompe o fluxo da frase e pode confundir o leitor. Por exemplo, “O menino, joga futebol.” está incorreto. A forma correta seria: “O menino joga futebol.”

Entre verbo e seus complementos: Da mesma forma, não usamos uma vírgula para separar um verbo dos seus complementos. Por exemplo, “Ela gosta, de sorvete de chocolate.” está errado. O correto seria: “Ela gosta de sorvete de chocolate.”

Entre o nome e o seu complemento nominal: O complemento nominal está diretamente relacionado ao nome que ele completa, então eles não devem ser separados por vírgula. Por exemplo, “Temos, necessidade de paz.” está errado. A frase correta seria: “Temos necessidade de paz.”

Entre a preposição e o seu complemento: De modo similar, a preposição e o seu complemento devem ficar juntos. Por exemplo, “Ela foi, para a escola.” está incorreto. A forma correta seria: “Ela foi para a escola.”

Essas são algumas das situações em que não devemos usar a vírgula. Sempre que você estiver em dúvida, lembre-se de que a vírgula é uma pausa. Se não houver uma pausa natural na frase quando você a lê em voz alta, provavelmente não é necessário usar uma vírgula.

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